PELA PASSAGEM DE UM DIA NADA ENGRAÇADO

12/03/2010

Depois dizem que ando chato, que reclamo de tudo, que não acho nada engraçado. Pudera. Quando soube da morte súbita e mal-humorada do cartunista Glauco e de seu filho Raoni, hoje pela manhã, meu mundo desabou. Pensei: "agora ferrou, levaram o canto que restava do meu sorriso". E segui: "rir está cada vez mais difícil". Daí chamei o pensador que existe dentro de mim: "um povo que mata seus cartunistas a tiro é, no mínimo, um povo que precisa seriamente rever a sua condição de povo. Porque povo, a meu ver, remete à nação e nação, à cultura. Logo, este é um atentado contra toda uma cultura. O fato é que lembrei da minha preocupação quando o amigo Alcemir um dia me disse que estávamos perdendo a elegância. Agora me desespero, pois a única palavra que me vem à mente é desesperança. E ponto. Hoje, mais do que nunca, o dia nasceu de cara amarrada.

Comentários

Thaïs disse…
Nossa meu amor, fiquei emocionada, lindo de viver!
Pena que expressando uma perda tão grande.
Te amo meu lindo, com todo meu coração.
J. disse…
O povo brasileiro não conhece a própria cultura, não sabe o que valorizar e sempre acredita que o que vem de fora é melhor. Basta entrar em qualquer livraria: os livros expostos com destaque quase nunca são nacionais. Basta ir ao cinema: os filmes em cartaz quase nunca são brasileiros. Uma pena, definitivamente. Uma pena.

Abraço.

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